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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Nem um, nem outro

   Estou em dúvida. Minhas ideologias políticas foram criadas por mim, assim como outras vertentes moralistas que me assombram. O meio contribuiu, mas somente a minha própria análise crítica fortaleceu a minha, digamos, linha política. Sou de esquerda e não voto nulo. Mas, para minha decepção o segundo turno na minha cidade (Florianópolis), para o cargo de prefeito, está sendo disputado por dois direitistas de extrema. O que fazer? Ir contra qual das minhas ideologias? Eis a questão! 

   Na onda do “eu não quero ser cúmplice”, “meu candidato ‘perdeu’ e os outros são corruptos”, a vida segue com insatisfações em relação à política. Esse desprazer também é meu, eu confesso. 

   Se tu te isentas, dás margens para que o outro decida por você. Se todos se isentam da responsabilidade do voto, em uma lógica, quem ganhará será o candidato com a maior família e aliados políticos, porque afinal votos brancos e nulos – como sabemos – não enchem urna. Preenchem sim, a esperança de políticos que preferem um nulo bem dado a um voto certeiro e pensado.

   O problema disso tudo, é que a política somente é discutida de dois em dois anos e com ênfases distintas. Minha mãe é direitista, obteve sua ideologia por meio de programas de televisão. Eu, como escrito, sou de esquerda ou centro-esquerda – como queiram denominar, e formei a minha ideologia assistindo debates, informando-me sobre política e me encantando por discursos de bons oradores.

   Disseram-me, em um almoço, que se realmente existisse democracia no Brasil o voto não seria obrigatório. Se eu concordo? Mas, é claro que não. Porém, não tenho uma opinião fundamentada sobre o assunto. Aliás, todas as afirmações aqui presentes são apenas ideologias da minha vida.

   Para finalizar, eu ratifico dizendo que sou contra o voto nulo. As pessoas não têm que eleger o “menos pior”, os eleitores têm que escolher àquele que não apresenta utopias e opiniões demagógicas, afinal precisamos de coisas palpáveis, mesmo que sejam paliativas.

domingo, 26 de agosto de 2012

Fantasmas












Sou o quarto de cinco. Cujo destino mandou que fosse o terceiro dos quatro que continuam vivos.

Ele nos deixou ainda anjo. Antes de me conhecer. Antes que eu pudesse vê-lo.

Aos noves meses, creio. Tornou-se o fantasminha camarada.

Sim, chamava-se Gaspar, igual ao avô paterno, e tinha apelido no diminutivo.

Fantasmas não são de todo mau. Apenas querem continuar o que não puderam, entretanto são incompreendidos. Assim como, muitos dos de carne e ossos vistos diariamente.

Querendo ou não, somos todos fantasmas incompreendidos, incompreensíveis. 
Fantasmas do sistema. Fantasmas da realidade contemporânea. Buscando algo que não sabemos bem o quê ou para qual finalidade a procura serve.

A busca é assim mesmo. A descoberta é o combustível da vida. Somente sobrevive quem descobre. O descoberto apenas sofre e observa. Suas riquezas são fracionadas e quando o fim chega os fantasmas ressurgem.


O que fazer? Imagino que tentar descobrir algo novo é o melhor caminho. Aprender. O aprendido e a única coisa que não se pode tirar a força de um terceiro. A troca tem que ser recíproca.

Aprenda. Afaste os fantasmas. O medo. Descubra como ser o fantasminha camarada e, além de tudo, descubra-se.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Não importa

As pessoas me decepcionam mais do que o tamanho do lanche do Mc Donald’s.


Sim, elas tendem a fazer isso. Talvez porque eu espero muito delas. Talvez, porque eu me doe muito para elas.



Não importa se eu acordei às 5h45min do dia mais frio, até o momento, do ano. E mesmo não querendo, levantei e fui trabalhar. Ok, chegar atrasado é uma dádiva minha e quem corrobora para isso são as empresas de transporte coletivo dessa Capital.

Não importa se o meu cabelo é escroto e nossa antipatia aumenta com o crescer dele. Não importa se eu abri o guarda-roupa e peguei as primeiras peças, joguei-me nelas e fui à luta. Afinal, alguém precisa ir.

Não importa se no campo de batalhas, em que ganho meu pão diário, as pessoas são agressivas e bipolares. Afinal, são muitos caciques para poucos índios.

Não importa se chovia, fazia frio e o meu cabelo tinha piorado com o clima. Afinal, os amigos são para isso: dizem que suas madeixas são lindas e que eu deveria deixar crescer mais. São aqueles que de uma forma simples te tiram de casa, ou do trabalho, para uma noite bizarra, engraçada e sem rumo definido. Afinal, as melhores coisas da vida acontecem ao acaso.

Não importa se eu tentei de cativar ao máximo. Não importa se eu lembro a data do teu aniversário. Afinal, o melhor é esnobar,mostrar-se por oito vezes e nem mesmo acenar. Afinal, as pessoas não gostam das boas pessoas. É mais fácil se lamentar da carência e do tédio.

Não importa a quantidade de líquidos impróprios para menores de 18 anos que ingeri. Não importa a quantidade de palavras tolas e sem noção que disparei feito uma metralhadora em mãos inaptas. Não importa o cabelo, as pessoas, as roupas, o dinheiro gasto em uma noite. Não importa a quantidade de gente beijada, a vontade de beijá-las, nem a camiseta emprestada. Afinal, são os novos amigos, aqueles de apenas uma noite, que nos fazem ter histórias para contar.

Não importa se para voltar para casa eu dormi e acordei onde não deveria. Não importa a ressaca e a labirintite do dia seguinte, ou do mesmo (como queiras equalizar). Afinal, são das histórias contemporâneas que se fazem as histórias dos livros de escola.

Não importa se teu presente – e não falo do tempo atual – ainda te aguarda. Não importa se ele é sem intenção alguma.  Afinal, talvez esse seja o problema, ele vem sem intenções.

Não importa as minhas palavras. Talvez, nada importe. Porque somos movidos pela ganância própria. Giramos em torno dos nossos umbigos. Somos infelizes por escolha própria. Somos a definição exemplar de egocentrismo. Afinal, jogar a culpa no mundo é mais fácil do que perceber os bons fluídos que o acaso te dá. 




A imagem acima é do google imagens.

terça-feira, 21 de junho de 2011

E Quando...

Será que foi magia ou bruxaria...

Não que eu tenha fé nessas coisas, mas, como já as pratiquei de maneira inofensiva, sei que existem.

E quando isso aconteceu e por que aconteceu?

Ah, doces perguntas que nunca serão respondidas...

Por que ainda me machuco, por que ainda rememoro cinzas adormecidas. Ah, os famosos porquês da vida...

Por que magoar, mentir, fingir, querer, poder, brincar, ignorar, amar... E por fim se machucar.

Senti na pele o feito há anos atrás, porém, com uma dor ainda maior. A lei tríplice em doses cavalares e não homeopáticas entaladas na garganta que segura o vômito do abalo.

Sinceridade para quê? Alguém pode tentar me explicar. O que é ser correto, ético e os blá blá blá?

Talvez no dia em que acabar o rancor, a inveja, o escuro mórbido, as preocupações, o medo...

Talvez ai... Nesse dia... Tudo volte a ser como antes... Qual antes? Qual durante? Qual depois?

Minhas sinceras e amargas desculpas... Amado doce pensamento imundo...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Hey, Papai Noel. A Culpa nem sempre é da Tecnologia

A moda, já há um bom tempo, é culpar os meios de comunicação, principalmente a programação da televisão, pela alienação e perdas de valores da população brasileira, sejam eles éticos ou culturais. Será mesmo? Creio que não.

Foi-se o tempo das rodas de conversas e das boas horas perdidas com as prosas, no centro da cidade, que tinham os mais diversos assuntos. Sim, o tempo mudou, e a vida cotidiana se acelerou. E para retornar a este passado, não tão longínquo, é literalmente preciso de um apagão.

Atualmente, uma boa parcela da população não conhece seus próprios vizinhos e os diálogos com os ditos amigos são, na maioria das vezes, virtuais. A contemporaneidade nos faz isso, as tecnologias ajudam, porém, não são culpadas ou as causadoras de todo mal. São apenas companheiras que devem ser usadas com parcimônia.

Oh, doce saudosismo, do olho no olho, das discussões e das risadas recíprocas vivenciadas lado a lado. Saudade de ser criança, de poder correr descalço pela rua e de ser chamado pelo nome por todos os vizinhos do bairro. É verdade, meu caríssimo e respeitado poeta, Casimiro de Abreu, também sinto falta da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais! E olha que não sou tão ancião assim. Dizem que é a modernidade.

O tempo não para, já dizia o “poeta”. E talvez, trocar o presente de natal por certo programa de televisão, não seja alienação ou imposição de determinado meio de comunicação. E sim, uma transformação, em que se apaga o fator religioso e aflora o científico. No qual os antigos símbolos são deixados de lado para dar espaço a novos. E aquelas longas conversas noturnas das soleiras das portas ficam apenas na doce lembrança dos que puderam aproveitar e vivenciar essa prática e dos futuros estudiosos que desejam registrar um comportamento que, cada vez mais, ficará adormecido.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Uma Senhora Sombra Centenária

Gigante pela própria natureza, ela é bela, é forte e emana muita beleza.







Conhecida por todos os moradores da ilha, dos mais novos aos idosos, também lembrada por aqueles que só vieram visitar a dita “Ilha da Magia”. Os visitantes em forma supersticiosa dão três voltinhas ao redor dela, isso para que possam assim, retornar à capital Catarinense.

Sua data de nascimento é imprecisa, pesquisadores dizem que é o ano de 1871, porém, vive em seu habitual endereço, a Praça XV de novembro, desde 1891. A partir de então alegra e encanta todos aqueles que passam por ela.

Seu nome científico é Fícus Carica, porém, e conhecida popularmente como Figueira, e carinhosamente chamada de centenária.

Com seus longos braços cansados, hoje, sustentados por hastes de metal, ela faz uma adorável sombra para os amantes da boa leitura, os jogadores de cartas e dominó e até mesmo para aqueles que estão matando o tempo antes de seus afazeres tradicionais.

A sensação de tranqüilidade que a centenária Figueira transmite, em meio ao caos de uma cidade grande, já foi utilizada para complementar poemas, sambas enredo e até mesmo o chamado hino de Florianópolis, a canção “Rancho de Amor à Ilha”, que em belas palavras cita: “ilha da velha Figueira, onde em tarde fagueira vou ler meu jornal”.

Não é jornal, mas sim, um livro que a estudante de direito, Lucélia dos Santos Inácio, lê em um dos bancos da tradicional Praça XV, para ela a paz das sombras da Figueira é inspiração para o entendimento das leis que a estudante tenta decorar para a prova que se aproxima.

Sentada sem pressa, a auxiliar administrativa, Viviane Aparecida Viera, diz que o verdadeiro cartão postal da ilha é a nossa Figueira, Viviane mora apenas cinco anos na capital dos catarinenses e sempre que pode se rende aos encantos da velha centenária e pára para admirar sua beleza.

Não importa quem, quando e por que, mas, com seu doce balanço ela encanta e seduz quem a conhece. Essa é a gigante Figueira centenária da Praça XV de novembro.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Muito Além do Caminho das Águas

Caminho do amor, do coração, do desejo, da felicidade, diveros caminhos
Caminho, às vezes tumultuado, esburracado e de dificil caminhar
Mas, logo chegamos lá, a espera é um dom, mas não se pode parar

Seguir em frente, planejar e alcançar...

Caminho bordado à fé, caminho das águas...

Me leva que quero ver meu pai, meu amor, meu sucesso, meu futuro, minhas tristezas, minhas felicidades, minhas conquitas, minha batalha vencida, meus amigos, meu crescimento, minha velhice, minha morte. Me leva que chego já.

Leva no teu bumbar
Me leva
Leva que quero ver meu pai
Caminho bordado à fé
Caminho das águas
Me leva que quero ver
Meu pai...

A barca segue seu rumo lenta
Como quem já não
Quer mais chegar
Como quem se acostumou
No canto das águas
Como quem já não
Quer mais voltar...

Os olhos da morena bonita
Aguenta que tô chegando já
Na roda conta com o seu
Ouvir a zabumba
Me leva que quero ver
Meu pai...

Leva no teu bumbar
Me leva
Leva que quero ver meu pai
Caminho bordado à fé
Caminho das águas
Me leva que quero ver
Meu pai...

A barca segue seu rumo lenta
Como quem já não
Quer mais chegar
Como quem se acostumou
No canto das águas
Como quem já não
Quer mais voltar...

Os olhos da morena bonita
Agüenta que tô chegando já
Na roda conta com o seu
Ouvir a zabumba
Me leva que quero ver
Meu pai...

Leva no teu bumbar
Me leva
Leva que quero ver meu pai
Caminho bordado à fé
Caminho das águas
Me leva que quero ver
Meu pai...


Composição: Rodrigo Maranhão
Interprete: Maria Rita