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terça-feira, 13 de maio de 2014

A liberdade de ser (in)feliz

Prezado Joel Hallow,

Eu, como especialista, não irei te receitar remédios do tipo tarja preta. Isso, evidentemente, pelo fato de você não os precisar. Tu não estás doente, não precisas de um CID, de um diagnóstico. Estás apenas triste. E, eu, como detentora da rubrica médica, te dou a permissão para se sentir assim (melancólico).

A infelicidade não é algo ruim, não é para ser amenizada com comprimidos enriquecedores de indústrias farmacêuticas. Ela é para ser degustada, igualmente a um bom vinho importado em noite de inverno. Pode parecer loucura da minha parte (eu também não tomo as ditas pílulas, para deixar claro), mas quem disser ao contrário é porque assistiu telenovelas demais. A tristeza faz parte do ser e é essencial à vida, assim como, a água e o oxigênio.

Não queiras ir à balada após ser demitido, não queiras dar uma festa após ter perdido um ente querido, não queiras esconder os teus sentimentos de afeto, indo ao teatro, após ver o “amor da tua vida” beijar um outrem. Não queiras ser feliz quando tens motivos aos montes para ser infeliz.

Deguste a tristeza. Trabalhe consigo e para si a dor da angustia. Tome o suco de maça, que sei que tens na geladeira. Durma a quantidade de horas prevista. Leia o famoso livro "infantil" que está na estante do teu guarda-roupa. Enfim, reformule o teu cotidiano. 

Seja o infeliz mais consciente que possas ser. Eu te dou essa liberdade, não se prenda a "Ditadura da Felicidade".

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Alaranjado


Ainda me lembro de uma conversa que tivemos. Talvez a primeira. Contei a você a minha cor preferida, sem saber que essa era a cor dos teus cabelos.

A mesma coloração do pôr do sol, da fruta, da flor. Tonalidade da euforia, esta que senti ao te conhecer.

Nuança terciaria, mistura de dois, único, envolvente, cativante que me deixou inebriado, enamorado, mas, que ao fim me deixou só.

Deixou-me com as recordações da tarde, dos contos, do almoço... Que me deixou tão só.

Fortaleceu-me, deu-me energia, lembrou-me a cor viva da vida.

O fogo de outrora, a brasa de agora, a fumaça de amanhã...

Apenas recordações de um olhar calmo, de uma voz branda, de um envolvimento fogoso e de um medo duradouro.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Dr. Google

                   Quem me conhece bem, ou nem tão bem assim, sabe que uso uma típica frase para me livrar de perguntas relacionadas a sentimentos:
                 - Eu vendi as minhas vias lacrimais para comprar cerveja. E, por isso, eu não choro.
                Mas, certos dias eu acordo com o corpo estranho, sinto que algo está errado comigo. Como odeio médicos e as filas em torno da área da saúde, sempre consulto um especialista rápido e prático chamado de Dr. Google, muito conhecido por grande parte da população mundial. Digito meus sintomas para ele e em seguida surgem “Aproximadamente 342.000 resultados (0,50 segundos)”. Mais eficaz do que isso impossível.  Mas, dentre os mais de 300 mil diagnósticos, o que mais me chamou a atenção foi que a maioria dizia ser “sentimentalismo” ou “carência”, como não sei lidar muito com essas coisas, simplesmente resolvi não misturar álcool e não sair nesta sexta-feira chuvosa de open bar na balada.
                Mas, uma pergunta vem à tona:
O porquê desse sentimentalismo e carência?
                Ano novo, talvez! Época em que a maioria dos mortais racionais fazem planos de melhorias de vida e demais clichês que abomino. Mas, no fundo, lá no fundo, eu realmente sei a resposta. E a sei bem!
                Tem nome, sobrenome e endereço próprio. Esse é o problema, o endereço. Ok! Realmente esse não é o maior problema, vou tentar explicar.
                A gente se conhece faz tanto tempo que, eu nem lembro ao certo como tudo começou. E o melhor de tudo é que devido a essa distância as coisas sempre fluíram naturalmente.Porém, eu sempre com os sentimento à flor da pele, iludindo-me um pouco além do normal, mas ele capricorniano sempre colocando o pé no chão e não me deixando sonhar e voar entre as nuvens. Talvez ele saiba mais de mim do que meus vizinhos que me viram crescer. Talvez ele me ouça mais do que meus próprios amigos que convivo e tenho contato fisicamente diariamente. Até então, ele era apenas um amigo virtual que as probabilidades de encontro eram remotas. Mas, eis que o dia do encontro chegou.
                E aquele sorriso tímido que eu conhecia das fotos e conversas online era mais lindo pessoalmente. E aquela voz baixinha das poucas ligações e dos bate papo via Skype era realmente baixa, entretanto muito mais cativante quando você a ouve próximo ao ouvido.
                Mas, o jeito simples daquele menino inteligente mexeu ainda mais comigo, fez com que aquele sentimento adormecido a tanto tempo de mim voltasse aguçado. As mãos dadas durante o banho de mar fez com que meus outros amigos comentassem. O brinde na virada do ano, as mão dadas e os chamegos no banco de trás do carro no trajeto de volta para casa... Tudo isso... Tudo isso... Fez com que aquela velha ilusão retomasse o meu ser.
                Assisti-lo dormir... Quantas vezes, em apenas quatro dias, eu acordei e em silêncio simplesmente fique observado-o. O jeito engraçado como ele caminhava pelas ruas desconhecidas. Como dança mal o tímido garoto. Como mexeu comigo vê-lo pessoalmente.
Sentia-me feliz, os olhares das pessoas desconhecidas não me irritavam. Nem mesmo o calor insuportável que se faz em Floripa nesta época do ano não me fez esbravejar. E, até mesmo, dirigir ao lado dele eu consegui com naturalidade.

Mas, a despedida chegou. Os quatro dias passaram demasiadamente rápidos, até mesmo a pequena Ilha eu não consegui apresentar da melhor forma possível a ele. Para mim, ficou o cheiro na camiseta que ele usou para dormir; a taça em que brindamos a virada do ano e o sentimentalismo aflorado. E, com certeza, a expectativa de revê-lo em breve.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Mas, o que eu posso fazer?

    Não entendo absolutamente nada de relacionamentos... Nunca tive um que durasse três meses, e você vem cheia de razão querendo que eu ajude no teu?

   Péra! Vamos conversar, eu sou um bom ouvinte. Aproveite o momento, pois, estou de bom-humor e ouvindo Lana Del Rey. Minha vida neste ano de 2013 está sendo recheada de boas notícias e espero que seja igual para você.

   Somente iremos nos apaixonar de verdade por uma pessoa quando aprendermos a nos amar. Por mais que eu odeie minhas orelhas e meus cabelos, aprendi a amar minhas longas pernas e até a minha voz está me agradando ultimamente, inclusive com recebimento de elogios.

   Que tal tentar praticar o mesmo?

   Ah o amor... O chamado amor... Quando vivemos mais para os outros que para nós mesmos, algo anda errado. Por que será? Imposição social!?! Fala da velha tia moralista que sempre que te vê diz: “ainda solteira? Irás morrer sozinha!”. Se for para ser feliz! Sim. Morra sozinha...

   Mas, jamais irás morrer sozinha se conseguires manter os amigos que cativasses! Achei que Saint-Exupéry já tinha te ensinado isso. Cadê as rosas, você é rosa! A rosa, a raposa?

   Lembras? Foi você que, em uma noite de luar, apresentou-me a elas. Assim como, eu te apresentei o bairro em que me criei.


   Força, fé e foco. Eu te amo, amiga.

terça-feira, 23 de julho de 2013

M’bya Guarani

     Ocas, sem roupas, cachimbo da paz às mãos, rostos pintados, ao redor da fogueira a dança que pede chuva. Talvez, esses sejam os atributos que muitos relacionam aos indígenas. Talvez, a mesma visão, que os colonizadores tinham há séculos ainda permeie na contemporaneidade. Deixa-se de ser índio ao usar celular e vestir roupas? Se for à universidade e comprar alimentos em supermercados? Com certeza, não. Índios são aqueles que mantêm a cultura indígena viva, que mantem as tradições repassadas de geração a geração. Que vivem em harmonia com os ensinamentos que acreditam.
                
     Mas, como relacionar uma aldeia indígena com o objetivo proposto – o patrimônio cultural? A resposta não é tão simples, mas ao mesmo tempo, em partes, foi respondida. A conservação da cultura. Esta permanência cultural é o maior patrimônio que uma sociedade/grupo pode ter, no caso, a Guarani.

     As práticas que exercem, seja na educação ou medicina, os locais de culto e adoração, a floresta e a preservação dos costumes, o artesanato e o saber-fazer. A sociedade que se reconhece e não tem vergonha de manter as tradições. E, principalmente, a preservação do meio, da Garapuvu, das técnicas e ensinamentos. Esses pontos é o que liga a aldeia ao conceito de patrimônio cultural que convencionamos na atualidade.

     Em conclusão, os indígenas da aldeia M’bya Guarani utilizam roupas, utensílios e demais objetos do “homem branco”, isso porque, eles não são primitivos, são indígenas inseridos na realidade contemporânea dos ditos homens brancos, afinal, quem nos dias de hoje aceitaria os Guarani caminhando nus pelo centro da cidade? Seria um choque, principalmente aos mais “preservadores dos bons costumes”. Enfim, de uma maneira peculiar, os indígenas da aldeia são patrimônio cultural.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ciúmes

É tão triste ver as amizades terminarem por ciúmes. Sentimento esse, gerado por motivos diversos, em ambientes diferentes. Seja no grupo familiar, escolar ou do trabalho. Creio que esses três lugares são aonde frequentemente o ciúme chega com maior vigor.

Talvez seja nato, pois, é normal sentir ciúmes do irmão mais novo. Ciúmes do novato que chegou ontem ao serviço e já é bem visto pelo patrão. Ciúmes do garoto que chega todos os dias atrasado na aula e somente tira dez nas avaliações.

E quando esse ciúme se transforma em algo perverso? Não que o sentimento seja uns dos melhores, mas, quando brando não faz mal a ninguém, o problema realmente começa quando o sentimento de rancor é fortalecido e motivado pelo dito ciúme.

As brigas de irmãos, no qual a culpa recai sobre o mais novo. As fofocas ao patrão do novato que chegou milésimos de segundo atrasado, que precisou sair mais cedo para um compromisso inadiável, que faltou uma única vez por problemas sérios de saúde. O olhar de ira ao colega que foi chamado para um projeto de pesquisa pelo melhor professor da faculdade.

O que era motivo de risos outrora, agora é razão para cochichos. As confidências tornam-se segredos. O precioso carinho virou ódio. A gentileza do bom dia passou ao desrespeito.

Sendo a amargura do enciumado o fluído para sua vida. Quem perde?


Infelizmente, todos os envolvidos. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

... e os amigos em comum


Então você conhece alguém novo, e como as amizades, hoje, tornam-se mais virtuais que carnais, logo as redes sociais entram em cena. E nada mais justo que dar uma pesquisada no perfil do recém-adicionado e novo amigo.

Pesquisa vai, pesquisa vem e não podemos deixar de observar aquela linda foto do perfil que demorou 10 horas e 500 flash’s para ser produzida... Os lugares visitados, as baladas, os sorrisos de alegria, as frases clichês de poetas e de pessoas desconhecidas, os plágios a autores famosos, as infernais fotos de comida, a defesa infundamentada aos animais e para finalizar a glória ao senhor G-zuis Cristo... Pronto primeira fase concluída.

Se ultrapassada essa fase e o interesse continuar é hora da segunda etapa. A conversa no chat. Esse próximo passo serve para duas coisas, descobrir se o novo amigo não escreve “concerteza, seje ou menas” e claro para saber as intensões do futuro sei lá o quê.

Mas, como iniciar a conversa sem dar muito na cara? Falar sobre o tempo? Com certeza, não. Isso é coisa dos anos 1970 e quando ambos olhavam para o céu. Falar sobre... sobre... Tem que ser algo contemporâneo, assim como, as redes sociais que nos uniram. Já sei! os amigos em comum. Sorriso no rosto e...

- Oi Fulano, tudo bem?

Seis horas depois.

- Td e com vc?

Puta que Pariu... 2013 e as pessoas ainda continuam abreviando as palavras, isso tinha motivo quando o computador era novidade e as pessoas estavam aprendendo a digitar e ficavam 30 minutos “catando” as letras no teclado, ou quando os celulares eram alfanuméricos. Mas, hoje qualquer embrião já sabe digitar bem rapidinho e os telefones são todos em teclados Qwert. Não há mais motivos para abreviações... E caralho, seis horas de demora e ainda responde “comendo” letras. Aff...

- Que bom, eu estou bem também, felizmente.
Eu sempre respondo assim, não importa se eu esteja tendo um enfarto ou esteja realmente bem.
- e as novidades?

- nenhuma e vc?

- também nada...

Eu posso ter feito um milhão de coisas novas, mas eu não sei o motivo, mas sempre acho que isso não é novidade, até porque eu vivo fazendo um milhão de coisas sempre e sempre esqueço que as fiz.

Essas primeiras conversas são sempre um tédio, até porque não se tem nada para comentar, afinal ambos não sabem nada um do outro... ou seja, irão conversar sobre o quê? Ah sim! os amigos em comum, já iria me esquecendo.

- Então, eu vi que você também é amigo da Wanessa Camargo.

- Quem?

- A Wanessa, olha o link do facebook dela...

Sim, eu escrevo e falo facebokk e detesto que o chamem de “face”, não tenho intimidade nenhuma com o Zuckerberg e aposto que, assim como eu, ele também deve detestar esses apelidos que colocam na gente ou em nossos filhos.

- Ah... não conheço ela não.

Oi? Como assim não conhece?

- Mas, ela está no seu facebook!

- humm... não conheço não, quem é ela?

Ok! Para falar a verdade também não conheço essa cadela, é que sabe como é, né... ando por tantos lugares que as pessoas me conhecem e me adicionam e como eu tenho esse sério problema com memória acabo aceitando para não parecer antissocial.

- É! Eu também não conheço, para falar a verdade. Por isso estou te perguntando, ela me adicionou faz um tempo, mas nunca falou comigo e eu não a reconheço pelas fotos.

- pois é... vou indo nessa. Tchau...

- Tchau!

É, nem sempre conversar sobre os amigos em comum é algo animador. Acho que deveria existir uma rede social que tenha a opção de marcar quem são nossos inimigos ou as pessoas de quem não gostamos, mesmo que não há conhecemos. Sim, eu estaria com várias marcações. Mas, cá entre nós, é sempre mais animador conversar sobre uma pessoa que não gostamos o papo sempre flui melhor quando podemos alfinetar certas pessoas. =)