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quarta-feira, 16 de março de 2016

Termo de Posse

Sobre a atual conjuntura política: faço um paralelo com os relacionamentos afetivos contemporâneos.

De início tudo é maravilhoso. Beijos para cá, elogios para lá. É perfeição total...  vida eterna, fotos no Instagram, textão no Facebook, tudo que nunca antes na história deste País foi visto. Todos os benefícios em proveito próprio.  

Com a passar do tempo, muitas vezes, o desgaste vai chegando. Talvez seja somente a dura e verdadeira percepção real vindo à tona, ou não, sei lá. Acontece que, quando as coisas começam a caminhar por uma determina via a qual nós não concordamos, tendamos a sobrecarregar negativamente a situação.

E tudo aquilo que era lindo, torna-se ódio.

- Vou ter que deixar meu primeiro carro Zero Km na garagem porque a gasolina aumentou.

Maldito seja esse ParTido.

- Este ano não poderei ir a Nova Iorque comprar Mac e Victoria’s Secrets porque o dólar está nas alturas.

Maldito seja esse ParTido..

- Olha lá quem chegou na festa?!? Meu ex... vamos embora!

Maldito seja (complete aqui com o nome do ex. Se tiver P, S, D, B melhor, não necessariamente nesta ordem).

Louco, não! Pois, é. Tudo aquilo que foi positivo fica para trás. Vive-se o momento e as consequências dos atos emanados no presente não são pensadas. As confidências e os carinhos; os carros zero quilometro e as inúmeras vagas nas universidades; os beijos, abraços e sexo; o iogurte e a carne todo dia; o cinema de mãos dadas e as fotinhas montadas. Tudo cai dentro de um buraco negro que repele raiva. Não se analisa o contexto, se expurga a ira, tudo se torna reprodução. De um lado x amigx fofoqueirx do outro a mídia golpista.

Somos todos Fantoches da vida real e isso é um perigo mortal.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Sobre o “Rio de Janeiro”

Você vai sozinho para esse lugar perigoso?!? (Minha mãe, sobre a minha viagem de férias).
Pois, é. Sabe essas coisas que você houve sobre determinado local que quer visitar? Esqueça, esqueça e vá. Esqueça até mesmo este texto e vá. Vá sozinho, acompanhado, com um ou 10 amigos, de excursão com desconhecidos, não importa, vá.
Sabe por quê? Porque você irá encontrar sotaques diferentes; paisagens diversas, seres apressados, mal-humorados, engraçados, educados, perdidos. Também vai ver pessoas em situação de rua, no ponto de ônibus, em restaurantes, em festas, na praia, no calçadão, visitando museus, pegando a barca, sentados no banco da praça. Você verá turistas, assim, iguaizinhos a você.
No meio da visita, você se dará conta que o local visitado é igual a cidade em que você vive e já está acostumado (às vezes, mais bonito, outras, não). O melhor disso? É que é tudo novo, no qual você é obrigado a conversar com alguém desconhecido para saber onde você deve pegar o ônibus para voltar ao hotel. Perguntar onde fica aquele museu maravilhoso que você pesquisou na internet. Você se obrigada a caminhar sem rumo por ruas movimentadas, correr para atravessar a rua, pois, o semáforo já está abrindo. Você se obrigada a sair da zona de conforto que faz a vida ficar chata e monótona.
Você irá aprender a ir à balada sozinho e voltar a pé, às 3h da madrugada, parar para comer uma pizza de queijo com suco de manga, chegar ao hostel e ficar batendo papo com o segurança até as 5h30min. Acordar às 8h, do mesmo dia, tomar café e correr para próxima atração turista (fotofóbico por conta da ressaca), feliz da vida.
Você esquece as paranoias que a mídia te mostra, mas não é por isso que vai ser trouxa para andar com o IPhone na mão dando sopa. Você irá descobrir que é “herói” para alguém que vai conhecer. Que é mais um para outros. Você, no fim, quando estiver no avião voltando, irá descobrir que por fora é a mesma pessoa (a não ser que fica na praia torrando no Sol do meio-dia), mas por dentro, haverá um sentimento de orgulho que jamais alguém irá conseguir destruir ou imitar.
Você, com certeza, não irá ficar só. No meu caso, segundo os dados do IBGE de 2014, tinham 6.453.682 pessoas por lá (excluindo a população flutuante). Viu! Impossível se sentir sozinho na cidade maravilhosa. Viaje...

sexta-feira, 6 de março de 2015

E as metas?

Ok! 2015 começou. Iniciou não! Já estamos no terceiro mês de 2015, um trimestre praticamente concluído. E, antes de brindarmos a chegada do novo ano, o que eu mais ouvia falar era: 2015 será o ano das mudanças. Incorporei a frase também.

O mês de janeiro, realmente, foi bastante proveitoso. Dos 31 dias, aproximadamente 28 deles eu passei bêbado ou levemente feliz (como queiras chamar). Fevereiro! Época das festividades de Carnaval, o qual a regra é ser feliz – afinal o ano ainda não começou – beber; esquecer os problemas e as contas, ainda, atrasadas; despir-se dos pudores e preconceitos etc. Bebi menos, diverti-me menos, e o pior, voltei a me preocupar mais. Cá estamos em março e já bati o carro, nada de aumento de salário e é somente o começo do cansaço.

A questão de tudo isso, é que prometi para mim mesmo que o ano seria diferente, porém, as mesmas preocupações 2014 e aquele sentimento interno de “está tudo errado” ainda permanece (felizmente um pouco menor). Comecei a fazer a graduação que tanto queria, já estou com a minha viagem de aniversário comprada e programada, irei mudar o sorriso. Entretanto, as metas que prometi realizar ainda em janeiro, ainda estão por fazer e, hoje, já é dia 06 de março (ou era).

Talvez, o erro seja justamente esse: metas. Fazer metas. Tenho medo que elas se tornem utópicas, como muito dos meus sonhos, do tipo: ganhar na mega-sena ou um Oscar.

Frustrações a parte, apesar da idade, ainda não sei o que fazer da vida. Sei que não pertenço ao local onde ainda vivo. Mas, ao mesmo tempo, não sei para onde ir, não sei qual realmente o local no qual serei totalmente feliz (caso exista felicidade plena).


Somente quero que o este desanimo que sinto sai logo, pois, tenho diversos textos para ler, resumir. E, um futuro a conduzir. 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O Tapuru nosso de cada dia

OK! Então você imagina que ainda, neste mundinho injusto, possa existir alguém que não ligue para aparências, afinal elas enganam. Crê que se o conhecimento vier antes, as coisas irão ser diferentes... Pura besteira, as coisas serão iguais, iguaizinhas... Pode acreditar!

Mas, dessa vez, com um adendo: à la Pepe le gambá. Acho que a imagem ajudará a explicar.


A gente se conheceu via rede social – cá entre nós, acho que a maioria dos meus relacionamentos aconteceram assim – e o papo fluiu naturalmente. Diversos pontos em comum, gostos parecidos etc. Eu, como sempre, sentimental e apegado – é o ascendente fazendo efeito – ainda mais neste ano em que as coisas não estão sendo fáceis.  

Como sempre o dia do encontro, ele chegou cedo porque não estava acostumado com a cidade, eu – por incrível que pareça – cheguei no horário combinado. Vi ele, e achei estranho, pois ele estava se preparando, mas, ao mesmo tempo, pensei “como é bonito o garoto”! A voz, das mensagens de áudio, era idêntica – fofa. O jeito elegante de se vestir era encantador. Apresentei o centro histórico da cidade, após o café.

Balada, reencontro para caminhar... Ele nunca demostrou nenhum sentimento de afeto. Eu mudei a rotina para poder me enquadrar na dele. Apresentei meu bairro, tomamos café na cafeteria que sempre quis ir – mas sempre tive preguiça. Por fim, percebi que tenho uma personalidade exótica – palavras ditas por ele, cujo significado não quis questionar. A velha é típica frase “o problema não é você, sou eu”, veio contemporânea: “Eu sou complicadinho”! Respondi que não estava chateado – apesar de estar – e de que somos todos complicados.

Por fim, creio que eu seja o Tapuru (expressão utilizada por ele para designar pessoa feia – é aquela larvinha da mosca) da vez. Creio que mudanças tenham que acontecer. Mas, de uma coisa eu tenho certeza: para mim, chega.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Cansado!

Eu nunca fui uma pessoa 100% alegre. Apesar de eu ser conhecido por essa característica. Apenas aprendi a me moldar. Resolvi aceitar a música e realmente descobri “que é melhor ser alegre do que triste”.

Entretanto, neste ano de 2014, as coisas não estão sendo tranquilas. Já se passaram quatro meses completos e eu posso contar nos dedos a quantidade de dias em que realmente eu me senti bem.

Às vezes, eu me sinto ridículo em estar assim, afinal, já realizei a maioria dos sonhos que tinha em mente quando era mais novo. Faculdade, emprego público, amigos verdadeiros, viagens etc. Porém, realmente há um fator que ainda não consegui realizar, mas que não depende de mim.

Esse está relacionado ao afeto. Por vezes, eu ouço o discurso moralista de que as pessoas buscam pessoas além do padrão de beleza hollywoodiana que a mídia impõe. Dizem que caráter, bom-humor, honestidade e inteligência são os fatores primordiais para um relacionamento. BESTEIRA!!!

Nas relações sociais em que vivemos hoje, os relacionamentos se transformam em meras convenções sociais, no qual, se namora para mostrar ao próximo o quanto sou bom e o quanto estou bem e feliz. E nisso, os verdadeiros sentimentos se perdem. Ora! Se for para mostrar, tem-se que elevar o padrão estético e o fenótipo do ser. E quem “dança”? Claro, que eu, Pois, nunca tive e nem quero ter o rosto e o corpo de protagonistas de TV.

Em meio a isso, vem a frustração de saber que, apesar de haver pessoas nessa mesma situação, elas preferem sofrer a se arriscar em serem felizes.   Talvez, eu seja uma delas, em saber que a minha beleza atrai pessoas mais velhas, de elas correrem atrás de mim e eu correr delas. Um eterno fogo cruzado de maratonistas.


Bem, vou volta a escrever, pois assim, talvez a angustia que me cerca, sai correndo de vez...  

terça-feira, 13 de maio de 2014

A liberdade de ser (in)feliz

Prezado Joel Hallow,

Eu, como especialista, não irei te receitar remédios do tipo tarja preta. Isso, evidentemente, pelo fato de você não os precisar. Tu não estás doente, não precisas de um CID, de um diagnóstico. Estás apenas triste. E, eu, como detentora da rubrica médica, te dou a permissão para se sentir assim (melancólico).

A infelicidade não é algo ruim, não é para ser amenizada com comprimidos enriquecedores de indústrias farmacêuticas. Ela é para ser degustada, igualmente a um bom vinho importado em noite de inverno. Pode parecer loucura da minha parte (eu também não tomo as ditas pílulas, para deixar claro), mas quem disser ao contrário é porque assistiu telenovelas demais. A tristeza faz parte do ser e é essencial à vida, assim como, a água e o oxigênio.

Não queiras ir à balada após ser demitido, não queiras dar uma festa após ter perdido um ente querido, não queiras esconder os teus sentimentos de afeto, indo ao teatro, após ver o “amor da tua vida” beijar um outrem. Não queiras ser feliz quando tens motivos aos montes para ser infeliz.

Deguste a tristeza. Trabalhe consigo e para si a dor da angustia. Tome o suco de maça, que sei que tens na geladeira. Durma a quantidade de horas prevista. Leia o famoso livro "infantil" que está na estante do teu guarda-roupa. Enfim, reformule o teu cotidiano. 

Seja o infeliz mais consciente que possas ser. Eu te dou essa liberdade, não se prenda a "Ditadura da Felicidade".

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Alaranjado


Ainda me lembro de uma conversa que tivemos. Talvez a primeira. Contei a você a minha cor preferida, sem saber que essa era a cor dos teus cabelos.

A mesma coloração do pôr do sol, da fruta, da flor. Tonalidade da euforia, esta que senti ao te conhecer.

Nuança terciaria, mistura de dois, único, envolvente, cativante que me deixou inebriado, enamorado, mas, que ao fim me deixou só.

Deixou-me com as recordações da tarde, dos contos, do almoço... Que me deixou tão só.

Fortaleceu-me, deu-me energia, lembrou-me a cor viva da vida.

O fogo de outrora, a brasa de agora, a fumaça de amanhã...

Apenas recordações de um olhar calmo, de uma voz branda, de um envolvimento fogoso e de um medo duradouro.