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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Sobre votos válidos:

É sério, precisamos conversar. Principalmente se você é de Santa Catarina. Mas, as próximas palavras servem para o Brasil. Serve para todos nós.

Após a divulgação dos resultados do 1º turno das eleições, li em redes sociais que 65% da população Catarinense escolheu por direcionar seu sufrágio ao candidato da extrema-direita. Felizmente isso é mentira. É falta de informação ou de interpretação de análise. Sim, os dados são alarmantes e temos que ficar preocupados, porém, os números apesar de serem grandes não refletem a maioria dos catarinenses.

Vamos lá.

O Estado de Santa Catarina possui 5.073.479 eleitores aptos a votar. Desses, 187.275 votaram nulo e 103.220 votaram em branco, além disso 827.201 não comparecerem ao pleito eleitoral no último dia 07 de outubro de 2018. Ou seja, 1.117.696 (23,14%) eleitores catarinenses deixaram de exercer o ato democrático na escolha do Presidente do Brasil.

Como sabemos, os votos brancos, nulos e ausências são simplesmente descartados, vão para lixeira do senso comum, dá-se assim a liberdade do outro escolher por você. Sendo assim, foram considerados válidos apenas 3.955.783 votos.

Dos números acima o candidato do PSL recebeu 2.603.665, seguido pelo candidato do PT com 598.578. O candidato do PDT ficou na terceira colocação com 264.312 votos válidos.

Vamos aos números:
5.073.479 – 100%
2.603.665 – X%
X = 51,32%

Sendo assim, 51,32% da população catarinense apta a votar manifestou preferência ao candidato do PSL. Apesar de ainda ser maioria, temos 48,68% da população que está apta a votar escolhendo outras formas de governo ou se isentando do direito democrático de manifestar suas escolhas.

Cabe a nós, que somos contra governos autoritários e fascistas, tentar esclarecer que votos nulos, brancos e ausências são ruins à democracia. Cabe a nós incentivar à ida aos pleitos eleitorais e votar. 

O jogo democrático precisa da união de todes, neste momento em que se luta pela democracia.

Dia 28 de outubro de 2018, das 8h às 17h, somos todos 13. Somos à favor da democracia.

#EleNão #EleNunca

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Ao Jack


Hey, Jack! Faz tempo que não te escrevo, não é mesmo? Pois, é! Peço-te desculpas. Você sempre me disse que isso um dia iria acontecer. Que eu encontraria novos amigos e esqueceria de te enviar textos dizendo como foi meu dia. Você me falava de distância e prioridades. Sinto sua falta, amigo. Eu tenho muitas coisas para te contar, mas não escreverei tudo agora porque senão teríamos um livro e acho que não tens tempo (ou paciência) para ler tudo.

Desde que parei de te escrever (cá entre nós, eu acho que faz anos, lembro-me que o Orkut era a rede social em alta, pois, foi por lá que nos conhecemos) muita coisa mudou. Eu não sou mais aquele adolescente preocupado com o vestibular. Risos. Outra hora te escrevo para contar sobre a minha extensa vida acadêmica.

De tudo que passou e mudou, uma coisa continua. Aqueles sentimentos de dor e amargura. Mudaram de nome e endereço (ainda bem, né?!?), porém, ainda continuam. E é por isso que te escrevo, você era o único que me entendia e respondia com palavras de sabedoria e afeto.

Tenho pensado muito em desistir. Não de tudo, não da vida porque sabes muito bem que sou taurino com os dois pés no chão. Mas, sinto que preciso parar. Ao menos por um tempo, eu acho. Sempre eu com essa maldita mania de sempre querer ficar só, né. Tenho estado muito desgostoso com a faculdade (atualmente curso teatro, sim graduação em teatro – calma que isso também merece um e-mail próprio com muitas reflexões) e com pessoas e processos que lá estão. Lá também tem muita coisa legal e pessoas maravilhosas que amo de montão. Lá sempre me foi um lugar um tanto quanto entranho, de não pertencimento, de pessoas com discursos lindos e de ações devastadoras. Um curso feito para transformação, mas sinto que há uma certa mania por lá de autodestruição.

Tenho chorado com frequência e isso tem mudado minhas emoções. Estou a demasiado tempo tentando entender de onde vem essa amargura que me faz chorar. Sempre digo que não sei. Sempre minto para mim. Essa dor, esse sentimento de estômago apertado, de respiração profunda... Tudo isso vem do coração. Ainda continuo com aquela mania de me apaixonar pelo sorriso alheio, pela piada ouvida em círculos de amigos. Continuo a me apaixonar após o beijo bêbado. Após dias de conversas e fotos trocadas no WhatsApp. Estou novamente apaixonado. Com planos de querer casar e morar em uma fazenda (apesar de eu achar que ele prefere praia). Mas, sabe! Eu nunca terei coragem de conversar com ele sobre isso, sobre os meus sentimentos. Sabe, eu chorei quando vi ele beijar outro garoto. Eu chorei na frente dele contanto meu passado ilusório que mais parece filme de sessão da tarde (você sabe bem, você acompanhou a minha dor). Ele tem um sorriso lindo. Ele é bem diferente de mim e nosso primeiro beijo me pegou de surpresa, alegrou-me a noite num dia em que estava triste e magoado. A gente se beijou outras vezes, eu queria que a gente se beijasse todos os dias. Mas, eu não tenho coragem.

Com base nisso, certo dia eu tentei esquecê-lo e comecei a conversar com um menino de 17 anos (sim, eu sei, eu deveria ser preso). Mas, enfim. Escolhi isso pensando em mudar minhas perspectivas, ver no que iria dar. Adivinha?!? Sim, estou aqui chorando porque enquanto dirigia tocou a música da banda preferida desse menino, enquanto te escrevia coloquei músicas no aleatório do YouTube (e adivinha?!?). Músicas não eram para ter esse efeito devastador. Ilusão, iludi-me. E a amargura do coração voltou em dose dupla. De um lado a paixão por alguém que conheço há anos. Do outro lado uma paixonite que escolhi ter para ser um curativo no buraco do meu coração. Ambas destroçaram um coração já dilacerado de tanto sofrer por paixão.

Nesse meio tempo tenho ouvido músicas que me deixam reflexivo. Músicas que me lembram do passado. De amigos que não vejo mais, que não converso mais. De você e de tanto outros que eu fiz sofrer, que me fizeram sofrer (que eu escolhi que me fizessem sofrer). Eu não queria que esse e-mail tivesse uma conotação amargurada. É somente um texto de reflexão, de colocar as coisas para fora. De tentar acordar amanhã não pensando em A nem em B. De não acordar ou ir dormir pensando no sofrimento que fiz meus amigos passarem, de não pensar no sofrimento da rejeição que venho tendo há anos. De não pensar em querer ter um relacionamento, mas não estar preparado nem comigo mesmo.

Eu estou triste e precisando de um tempo. Espero que estejas apto e com um tempinho para poder me ler. Sinta-se à vontade para me responder (ou não), eu entenderei.

Forte abraço!

Com atenção,
Joel Hallow

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Sobre sonhos, vontades, desejos e... bom deixa para lá

Sempre sonhei com alguém que chegasse do nada e mudasse a minha vida.

Sempre tive vontade de mudar a vida de alguém.

Sempre desejei que alguém, bem no meio daquela aula chata, viesse em minha direção e roubasse a atenção do coletivo com um beijo imerso em paixão.

Sempre sonhei que, de repente, no meio da rua, alguém me parasse, perguntasse o meu nome e dissesse que eu era quem ele sempre sonhará.

Sempre tive vontade de viver uma linda história de amor no verão.

Sempre desejei que, ao ler o meu livro preferido no parque, alguém especial me observasse e quando eu levantasse a cabeça ele estaria lá, em pé, convidando-me a viver as palavras que até agora eu estava a imaginar.

Sempre sonhei em acordar numa mansão, não lembrar da noite anterior, mas ao tentar ir embora encontrar nas escadas o grande amor.

Sempre sonhei em receber minhas flores preferidas, no dia do meu aniversário. Junto a elas um cartão anônimo cuja letra eu reconheceria.

Sempre desejei um dia me encontrar.

Sempre tive vontade de mudar, de me mudar.

Sempre sonhei em tirar o pé o do chão, de me libertar do frio de mão e voar.

Sempre tive vontade de nunca mais me preocupar.

Sempre tive vontade de entender o teu olhar. Como eu queria poder te falar.

Sempre sonhei com contos de fada. Mas, sem cavalo branco e finais previsíveis.

Sempre tive vontade de viajar pelos quatro quantos de um mundo redondo.

Sempre desejei um governo para todos.

Sempre sonhei em ganhar um milhão. Sempre desejei gastar um milhão.

Sempre sonhei em nunca mentir. Sempre desejei falar somente a verdade. Sempre tive vontade de nunca mais chorar pela sua morte.

Sempre desejei que alguém parasse e me perguntasse: - Mas, Joel. Você faria tudo isso que acabaste de escrever?

E eu responderia: - Bom! É melhor deixar para lá.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Sobre dor:

Aquele dor voltou. E eu me culpo muito por ela. É uma dor egoísta. Fria. Triste.
É aquela dor no estômago. No âmago. Sem remédio de imediato.
É uma dor que me faz contar mentira. Esconder lágrimas, sorrir e seguir rotina.
Sim, é uma dor ímpar que já senti mais de uma vez ao longo da vida.
É uma dor que faz eu não dormir as madruga. Chorar na calçada. Caminhar sem gosto pelas estradas.
É uma dor amargurada. Que me tranca a garganta. Que envenena até a alma.
É uma dor que envolve outra pessoa. É uma dor que me bloqueia. É uma dor que golpeia.
É uma dor que me fez viajar. Que me fez voltar. Que me faz pensar em nunca mais tentar.
É uma dor que vem do cérebro. Que eu sinto no esôfago. Que outros impõe ao coração.
Pois, é! É uma dor de sensação.
É uma dor que me faz querer berrar, mas quando abro a boca me falta ar.
É uma dor que vai e volta. Que tem reviravolta. Mas, que quase ninguém nota.
É uma dor que tira o meu sorriso. Que me traz um desânimo, que me faz rever planos. Que me faz querer desistir das coisas que mais amo.
É uma dor que me ensinou sobre ser altruísta. Otimista. A manter a cabeça erguida.
É um dor que me faz demostrar felicidade, mesmo sem vontade. É uma dor que me faz estar em um labirinto sem saída.

É uma dor minha. Quem mandou ser altruísta.  

domingo, 18 de dezembro de 2016

Sobre os teus cabelos

     Tudo acontece por uma razão, li em um tweet dias desses. Creio que esse seja o porquê de sua aparição ou, talvez, da minha ida.

    Ele apareceu naquele lugar que, para mim, não combinava muito com o seu estilo. Porém, ambientes foram criados para serem frequentados e não para analisarmos os estereótipos dos visitantes. Vá, apenas vá. E ele foi. Eu fui. E de repente fazíamos parte de um aglomerado.

     Grande deslumbramento. Mas a vida é mesmo assim, movida de sonhos, surpresas e medos.

     Então, a noite seguiu regada aos moldes do velho jogo de colocar conversa fora entre brincadeiras, filosofia, risos e indiretas. Ah como são doces essas palavras impulsionadas pelo frescor da cerveja barata e mencionadas com díspares intenções.

     Em meio aos diálogos citei as tuas mechas mal pintadas com tinta comprada a preço modesto. Apesar de tudo, eu realmente gostava dos teus cabelos coloridos, porém, às vezes, a gente se sente obrigado a concordar com os clichês impostos pela maioria. Desculpa, mas entendo que para sobreviver, conviver e sentir-se incluído nos grupos que se formam na sociedade temos que abrir mão. Um insulto a nossa vontade própria, eu sei.

      Mas, como nos ensinou Clarice Lispector – ou Isaac Newton (esqueço-me sempre a autoria) –, “toda ação tem uma reação”. E o teu impulso veio por meio desse teu olhar fofo de constrangimento bobo que te deixa ainda mais pulcro.

     Una-se aos teus propósitos, singelo garoto. E assim seguiremos, uns saindo à francesa, outros olhando à direita quando as boas vibrações estão na esquina a esquerda.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Termo de Posse

Sobre a atual conjuntura política: faço um paralelo com os relacionamentos afetivos contemporâneos.

De início tudo é maravilhoso. Beijos para cá, elogios para lá. É perfeição total...  vida eterna, fotos no Instagram, textão no Facebook, tudo que nunca antes na história deste País foi visto. Todos os benefícios em proveito próprio.  

Com a passar do tempo, muitas vezes, o desgaste vai chegando. Talvez seja somente a dura e verdadeira percepção real vindo à tona, ou não, sei lá. Acontece que, quando as coisas começam a caminhar por uma determina via a qual nós não concordamos, tendamos a sobrecarregar negativamente a situação.

E tudo aquilo que era lindo, torna-se ódio.

- Vou ter que deixar meu primeiro carro Zero Km na garagem porque a gasolina aumentou.

Maldito seja esse ParTido.

- Este ano não poderei ir a Nova Iorque comprar Mac e Victoria’s Secrets porque o dólar está nas alturas.

Maldito seja esse ParTido..

- Olha lá quem chegou na festa?!? Meu ex... vamos embora!

Maldito seja (complete aqui com o nome do ex. Se tiver P, S, D, B melhor, não necessariamente nesta ordem).

Louco, não! Pois, é. Tudo aquilo que foi positivo fica para trás. Vive-se o momento e as consequências dos atos emanados no presente não são pensadas. As confidências e os carinhos; os carros zero quilometro e as inúmeras vagas nas universidades; os beijos, abraços e sexo; o iogurte e a carne todo dia; o cinema de mãos dadas e as fotinhas montadas. Tudo cai dentro de um buraco negro que repele raiva. Não se analisa o contexto, se expurga a ira, tudo se torna reprodução. De um lado x amigx fofoqueirx do outro a mídia golpista.

Somos todos Fantoches da vida real e isso é um perigo mortal.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Sobre o “Rio de Janeiro”

Você vai sozinho para esse lugar perigoso?!? (Minha mãe, sobre a minha viagem de férias).
Pois, é. Sabe essas coisas que você houve sobre determinado local que quer visitar? Esqueça, esqueça e vá. Esqueça até mesmo este texto e vá. Vá sozinho, acompanhado, com um ou 10 amigos, de excursão com desconhecidos, não importa, vá.
Sabe por quê? Porque você irá encontrar sotaques diferentes; paisagens diversas, seres apressados, mal-humorados, engraçados, educados, perdidos. Também vai ver pessoas em situação de rua, no ponto de ônibus, em restaurantes, em festas, na praia, no calçadão, visitando museus, pegando a barca, sentados no banco da praça. Você verá turistas, assim, iguaizinhos a você.
No meio da visita, você se dará conta que o local visitado é igual a cidade em que você vive e já está acostumado (às vezes, mais bonito, outras, não). O melhor disso? É que é tudo novo, no qual você é obrigado a conversar com alguém desconhecido para saber onde você deve pegar o ônibus para voltar ao hotel. Perguntar onde fica aquele museu maravilhoso que você pesquisou na internet. Você se obrigada a caminhar sem rumo por ruas movimentadas, correr para atravessar a rua, pois, o semáforo já está abrindo. Você se obrigada a sair da zona de conforto que faz a vida ficar chata e monótona.
Você irá aprender a ir à balada sozinho e voltar a pé, às 3h da madrugada, parar para comer uma pizza de queijo com suco de manga, chegar ao hostel e ficar batendo papo com o segurança até as 5h30min. Acordar às 8h, do mesmo dia, tomar café e correr para próxima atração turista (fotofóbico por conta da ressaca), feliz da vida.
Você esquece as paranoias que a mídia te mostra, mas não é por isso que vai ser trouxa para andar com o IPhone na mão dando sopa. Você irá descobrir que é “herói” para alguém que vai conhecer. Que é mais um para outros. Você, no fim, quando estiver no avião voltando, irá descobrir que por fora é a mesma pessoa (a não ser que fica na praia torrando no Sol do meio-dia), mas por dentro, haverá um sentimento de orgulho que jamais alguém irá conseguir destruir ou imitar.
Você, com certeza, não irá ficar só. No meu caso, segundo os dados do IBGE de 2014, tinham 6.453.682 pessoas por lá (excluindo a população flutuante). Viu! Impossível se sentir sozinho na cidade maravilhosa. Viaje...

sexta-feira, 6 de março de 2015

E as metas?

Ok! 2015 começou. Iniciou não! Já estamos no terceiro mês de 2015, um trimestre praticamente concluído. E, antes de brindarmos a chegada do novo ano, o que eu mais ouvia falar era: 2015 será o ano das mudanças. Incorporei a frase também.

O mês de janeiro, realmente, foi bastante proveitoso. Dos 31 dias, aproximadamente 28 deles eu passei bêbado ou levemente feliz (como queiras chamar). Fevereiro! Época das festividades de Carnaval, o qual a regra é ser feliz – afinal o ano ainda não começou – beber; esquecer os problemas e as contas, ainda, atrasadas; despir-se dos pudores e preconceitos etc. Bebi menos, diverti-me menos, e o pior, voltei a me preocupar mais. Cá estamos em março e já bati o carro, nada de aumento de salário e é somente o começo do cansaço.

A questão de tudo isso, é que prometi para mim mesmo que o ano seria diferente, porém, as mesmas preocupações 2014 e aquele sentimento interno de “está tudo errado” ainda permanece (felizmente um pouco menor). Comecei a fazer a graduação que tanto queria, já estou com a minha viagem de aniversário comprada e programada, irei mudar o sorriso. Entretanto, as metas que prometi realizar ainda em janeiro, ainda estão por fazer e, hoje, já é dia 06 de março (ou era).

Talvez, o erro seja justamente esse: metas. Fazer metas. Tenho medo que elas se tornem utópicas, como muito dos meus sonhos, do tipo: ganhar na mega-sena ou um Oscar.

Frustrações a parte, apesar da idade, ainda não sei o que fazer da vida. Sei que não pertenço ao local onde ainda vivo. Mas, ao mesmo tempo, não sei para onde ir, não sei qual realmente o local no qual serei totalmente feliz (caso exista felicidade plena).


Somente quero que o este desanimo que sinto sai logo, pois, tenho diversos textos para ler, resumir. E, um futuro a conduzir. 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O Tapuru nosso de cada dia

OK! Então você imagina que ainda, neste mundinho injusto, possa existir alguém que não ligue para aparências, afinal elas enganam. Crê que se o conhecimento vier antes, as coisas irão ser diferentes... Pura besteira, as coisas serão iguais, iguaizinhas... Pode acreditar!

Mas, dessa vez, com um adendo: à la Pepe le gambá. Acho que a imagem ajudará a explicar.


A gente se conheceu via rede social – cá entre nós, acho que a maioria dos meus relacionamentos aconteceram assim – e o papo fluiu naturalmente. Diversos pontos em comum, gostos parecidos etc. Eu, como sempre, sentimental e apegado – é o ascendente fazendo efeito – ainda mais neste ano em que as coisas não estão sendo fáceis.  

Como sempre o dia do encontro, ele chegou cedo porque não estava acostumado com a cidade, eu – por incrível que pareça – cheguei no horário combinado. Vi ele, e achei estranho, pois ele estava se preparando, mas, ao mesmo tempo, pensei “como é bonito o garoto”! A voz, das mensagens de áudio, era idêntica – fofa. O jeito elegante de se vestir era encantador. Apresentei o centro histórico da cidade, após o café.

Balada, reencontro para caminhar... Ele nunca demostrou nenhum sentimento de afeto. Eu mudei a rotina para poder me enquadrar na dele. Apresentei meu bairro, tomamos café na cafeteria que sempre quis ir – mas sempre tive preguiça. Por fim, percebi que tenho uma personalidade exótica – palavras ditas por ele, cujo significado não quis questionar. A velha é típica frase “o problema não é você, sou eu”, veio contemporânea: “Eu sou complicadinho”! Respondi que não estava chateado – apesar de estar – e de que somos todos complicados.

Por fim, creio que eu seja o Tapuru (expressão utilizada por ele para designar pessoa feia – é aquela larvinha da mosca) da vez. Creio que mudanças tenham que acontecer. Mas, de uma coisa eu tenho certeza: para mim, chega.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Cansado!

Eu nunca fui uma pessoa 100% alegre. Apesar de eu ser conhecido por essa característica. Apenas aprendi a me moldar. Resolvi aceitar a música e realmente descobri “que é melhor ser alegre do que triste”.

Entretanto, neste ano de 2014, as coisas não estão sendo tranquilas. Já se passaram quatro meses completos e eu posso contar nos dedos a quantidade de dias em que realmente eu me senti bem.

Às vezes, eu me sinto ridículo em estar assim, afinal, já realizei a maioria dos sonhos que tinha em mente quando era mais novo. Faculdade, emprego público, amigos verdadeiros, viagens etc. Porém, realmente há um fator que ainda não consegui realizar, mas que não depende de mim.

Esse está relacionado ao afeto. Por vezes, eu ouço o discurso moralista de que as pessoas buscam pessoas além do padrão de beleza hollywoodiana que a mídia impõe. Dizem que caráter, bom-humor, honestidade e inteligência são os fatores primordiais para um relacionamento. BESTEIRA!!!

Nas relações sociais em que vivemos hoje, os relacionamentos se transformam em meras convenções sociais, no qual, se namora para mostrar ao próximo o quanto sou bom e o quanto estou bem e feliz. E nisso, os verdadeiros sentimentos se perdem. Ora! Se for para mostrar, tem-se que elevar o padrão estético e o fenótipo do ser. E quem “dança”? Claro, que eu, Pois, nunca tive e nem quero ter o rosto e o corpo de protagonistas de TV.

Em meio a isso, vem a frustração de saber que, apesar de haver pessoas nessa mesma situação, elas preferem sofrer a se arriscar em serem felizes.   Talvez, eu seja uma delas, em saber que a minha beleza atrai pessoas mais velhas, de elas correrem atrás de mim e eu correr delas. Um eterno fogo cruzado de maratonistas.


Bem, vou volta a escrever, pois assim, talvez a angustia que me cerca, sai correndo de vez...  

terça-feira, 13 de maio de 2014

A liberdade de ser (in)feliz

Prezado Joel Hallow,

Eu, como especialista, não irei te receitar remédios do tipo tarja preta. Isso, evidentemente, pelo fato de você não os precisar. Tu não estás doente, não precisas de um CID, de um diagnóstico. Estás apenas triste. E, eu, como detentora da rubrica médica, te dou a permissão para se sentir assim (melancólico).

A infelicidade não é algo ruim, não é para ser amenizada com comprimidos enriquecedores de indústrias farmacêuticas. Ela é para ser degustada, igualmente a um bom vinho importado em noite de inverno. Pode parecer loucura da minha parte (eu também não tomo as ditas pílulas, para deixar claro), mas quem disser ao contrário é porque assistiu telenovelas demais. A tristeza faz parte do ser e é essencial à vida, assim como, a água e o oxigênio.

Não queiras ir à balada após ser demitido, não queiras dar uma festa após ter perdido um ente querido, não queiras esconder os teus sentimentos de afeto, indo ao teatro, após ver o “amor da tua vida” beijar um outrem. Não queiras ser feliz quando tens motivos aos montes para ser infeliz.

Deguste a tristeza. Trabalhe consigo e para si a dor da angustia. Tome o suco de maça, que sei que tens na geladeira. Durma a quantidade de horas prevista. Leia o famoso livro "infantil" que está na estante do teu guarda-roupa. Enfim, reformule o teu cotidiano. 

Seja o infeliz mais consciente que possas ser. Eu te dou essa liberdade, não se prenda a "Ditadura da Felicidade".

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Alaranjado


Ainda me lembro de uma conversa que tivemos. Talvez a primeira. Contei a você a minha cor preferida, sem saber que essa era a cor dos teus cabelos.

A mesma coloração do pôr do sol, da fruta, da flor. Tonalidade da euforia, esta que senti ao te conhecer.

Nuança terciaria, mistura de dois, único, envolvente, cativante que me deixou inebriado, enamorado, mas, que ao fim me deixou só.

Deixou-me com as recordações da tarde, dos contos, do almoço... Que me deixou tão só.

Fortaleceu-me, deu-me energia, lembrou-me a cor viva da vida.

O fogo de outrora, a brasa de agora, a fumaça de amanhã...

Apenas recordações de um olhar calmo, de uma voz branda, de um envolvimento fogoso e de um medo duradouro.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Dr. Google

                   Quem me conhece bem, ou nem tão bem assim, sabe que uso uma típica frase para me livrar de perguntas relacionadas a sentimentos:
                 - Eu vendi as minhas vias lacrimais para comprar cerveja. E, por isso, eu não choro.
                Mas, certos dias eu acordo com o corpo estranho, sinto que algo está errado comigo. Como odeio médicos e as filas em torno da área da saúde, sempre consulto um especialista rápido e prático chamado de Dr. Google, muito conhecido por grande parte da população mundial. Digito meus sintomas para ele e em seguida surgem “Aproximadamente 342.000 resultados (0,50 segundos)”. Mais eficaz do que isso impossível.  Mas, dentre os mais de 300 mil diagnósticos, o que mais me chamou a atenção foi que a maioria dizia ser “sentimentalismo” ou “carência”, como não sei lidar muito com essas coisas, simplesmente resolvi não misturar álcool e não sair nesta sexta-feira chuvosa de open bar na balada.
                Mas, uma pergunta vem à tona:
O porquê desse sentimentalismo e carência?
                Ano novo, talvez! Época em que a maioria dos mortais racionais fazem planos de melhorias de vida e demais clichês que abomino. Mas, no fundo, lá no fundo, eu realmente sei a resposta. E a sei bem!
                Tem nome, sobrenome e endereço próprio. Esse é o problema, o endereço. Ok! Realmente esse não é o maior problema, vou tentar explicar.
                A gente se conhece faz tanto tempo que, eu nem lembro ao certo como tudo começou. E o melhor de tudo é que devido a essa distância as coisas sempre fluíram naturalmente.Porém, eu sempre com os sentimento à flor da pele, iludindo-me um pouco além do normal, mas ele capricorniano sempre colocando o pé no chão e não me deixando sonhar e voar entre as nuvens. Talvez ele saiba mais de mim do que meus vizinhos que me viram crescer. Talvez ele me ouça mais do que meus próprios amigos que convivo e tenho contato fisicamente diariamente. Até então, ele era apenas um amigo virtual que as probabilidades de encontro eram remotas. Mas, eis que o dia do encontro chegou.
                E aquele sorriso tímido que eu conhecia das fotos e conversas online era mais lindo pessoalmente. E aquela voz baixinha das poucas ligações e dos bate papo via Skype era realmente baixa, entretanto muito mais cativante quando você a ouve próximo ao ouvido.
                Mas, o jeito simples daquele menino inteligente mexeu ainda mais comigo, fez com que aquele sentimento adormecido a tanto tempo de mim voltasse aguçado. As mãos dadas durante o banho de mar fez com que meus outros amigos comentassem. O brinde na virada do ano, as mão dadas e os chamegos no banco de trás do carro no trajeto de volta para casa... Tudo isso... Tudo isso... Fez com que aquela velha ilusão retomasse o meu ser.
                Assisti-lo dormir... Quantas vezes, em apenas quatro dias, eu acordei e em silêncio simplesmente fique observado-o. O jeito engraçado como ele caminhava pelas ruas desconhecidas. Como dança mal o tímido garoto. Como mexeu comigo vê-lo pessoalmente.
Sentia-me feliz, os olhares das pessoas desconhecidas não me irritavam. Nem mesmo o calor insuportável que se faz em Floripa nesta época do ano não me fez esbravejar. E, até mesmo, dirigir ao lado dele eu consegui com naturalidade.

Mas, a despedida chegou. Os quatro dias passaram demasiadamente rápidos, até mesmo a pequena Ilha eu não consegui apresentar da melhor forma possível a ele. Para mim, ficou o cheiro na camiseta que ele usou para dormir; a taça em que brindamos a virada do ano e o sentimentalismo aflorado. E, com certeza, a expectativa de revê-lo em breve.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Mas, o que eu posso fazer?

    Não entendo absolutamente nada de relacionamentos... Nunca tive um que durasse três meses, e você vem cheia de razão querendo que eu ajude no teu?

   Péra! Vamos conversar, eu sou um bom ouvinte. Aproveite o momento, pois, estou de bom-humor e ouvindo Lana Del Rey. Minha vida neste ano de 2013 está sendo recheada de boas notícias e espero que seja igual para você.

   Somente iremos nos apaixonar de verdade por uma pessoa quando aprendermos a nos amar. Por mais que eu odeie minhas orelhas e meus cabelos, aprendi a amar minhas longas pernas e até a minha voz está me agradando ultimamente, inclusive com recebimento de elogios.

   Que tal tentar praticar o mesmo?

   Ah o amor... O chamado amor... Quando vivemos mais para os outros que para nós mesmos, algo anda errado. Por que será? Imposição social!?! Fala da velha tia moralista que sempre que te vê diz: “ainda solteira? Irás morrer sozinha!”. Se for para ser feliz! Sim. Morra sozinha...

   Mas, jamais irás morrer sozinha se conseguires manter os amigos que cativasses! Achei que Saint-Exupéry já tinha te ensinado isso. Cadê as rosas, você é rosa! A rosa, a raposa?

   Lembras? Foi você que, em uma noite de luar, apresentou-me a elas. Assim como, eu te apresentei o bairro em que me criei.


   Força, fé e foco. Eu te amo, amiga.

terça-feira, 23 de julho de 2013

M’bya Guarani

     Ocas, sem roupas, cachimbo da paz às mãos, rostos pintados, ao redor da fogueira a dança que pede chuva. Talvez, esses sejam os atributos que muitos relacionam aos indígenas. Talvez, a mesma visão, que os colonizadores tinham há séculos ainda permeie na contemporaneidade. Deixa-se de ser índio ao usar celular e vestir roupas? Se for à universidade e comprar alimentos em supermercados? Com certeza, não. Índios são aqueles que mantêm a cultura indígena viva, que mantem as tradições repassadas de geração a geração. Que vivem em harmonia com os ensinamentos que acreditam.
                
     Mas, como relacionar uma aldeia indígena com o objetivo proposto – o patrimônio cultural? A resposta não é tão simples, mas ao mesmo tempo, em partes, foi respondida. A conservação da cultura. Esta permanência cultural é o maior patrimônio que uma sociedade/grupo pode ter, no caso, a Guarani.

     As práticas que exercem, seja na educação ou medicina, os locais de culto e adoração, a floresta e a preservação dos costumes, o artesanato e o saber-fazer. A sociedade que se reconhece e não tem vergonha de manter as tradições. E, principalmente, a preservação do meio, da Garapuvu, das técnicas e ensinamentos. Esses pontos é o que liga a aldeia ao conceito de patrimônio cultural que convencionamos na atualidade.

     Em conclusão, os indígenas da aldeia M’bya Guarani utilizam roupas, utensílios e demais objetos do “homem branco”, isso porque, eles não são primitivos, são indígenas inseridos na realidade contemporânea dos ditos homens brancos, afinal, quem nos dias de hoje aceitaria os Guarani caminhando nus pelo centro da cidade? Seria um choque, principalmente aos mais “preservadores dos bons costumes”. Enfim, de uma maneira peculiar, os indígenas da aldeia são patrimônio cultural.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ciúmes

É tão triste ver as amizades terminarem por ciúmes. Sentimento esse, gerado por motivos diversos, em ambientes diferentes. Seja no grupo familiar, escolar ou do trabalho. Creio que esses três lugares são aonde frequentemente o ciúme chega com maior vigor.

Talvez seja nato, pois, é normal sentir ciúmes do irmão mais novo. Ciúmes do novato que chegou ontem ao serviço e já é bem visto pelo patrão. Ciúmes do garoto que chega todos os dias atrasado na aula e somente tira dez nas avaliações.

E quando esse ciúme se transforma em algo perverso? Não que o sentimento seja uns dos melhores, mas, quando brando não faz mal a ninguém, o problema realmente começa quando o sentimento de rancor é fortalecido e motivado pelo dito ciúme.

As brigas de irmãos, no qual a culpa recai sobre o mais novo. As fofocas ao patrão do novato que chegou milésimos de segundo atrasado, que precisou sair mais cedo para um compromisso inadiável, que faltou uma única vez por problemas sérios de saúde. O olhar de ira ao colega que foi chamado para um projeto de pesquisa pelo melhor professor da faculdade.

O que era motivo de risos outrora, agora é razão para cochichos. As confidências tornam-se segredos. O precioso carinho virou ódio. A gentileza do bom dia passou ao desrespeito.

Sendo a amargura do enciumado o fluído para sua vida. Quem perde?


Infelizmente, todos os envolvidos. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

... e os amigos em comum


Então você conhece alguém novo, e como as amizades, hoje, tornam-se mais virtuais que carnais, logo as redes sociais entram em cena. E nada mais justo que dar uma pesquisada no perfil do recém-adicionado e novo amigo.

Pesquisa vai, pesquisa vem e não podemos deixar de observar aquela linda foto do perfil que demorou 10 horas e 500 flash’s para ser produzida... Os lugares visitados, as baladas, os sorrisos de alegria, as frases clichês de poetas e de pessoas desconhecidas, os plágios a autores famosos, as infernais fotos de comida, a defesa infundamentada aos animais e para finalizar a glória ao senhor G-zuis Cristo... Pronto primeira fase concluída.

Se ultrapassada essa fase e o interesse continuar é hora da segunda etapa. A conversa no chat. Esse próximo passo serve para duas coisas, descobrir se o novo amigo não escreve “concerteza, seje ou menas” e claro para saber as intensões do futuro sei lá o quê.

Mas, como iniciar a conversa sem dar muito na cara? Falar sobre o tempo? Com certeza, não. Isso é coisa dos anos 1970 e quando ambos olhavam para o céu. Falar sobre... sobre... Tem que ser algo contemporâneo, assim como, as redes sociais que nos uniram. Já sei! os amigos em comum. Sorriso no rosto e...

- Oi Fulano, tudo bem?

Seis horas depois.

- Td e com vc?

Puta que Pariu... 2013 e as pessoas ainda continuam abreviando as palavras, isso tinha motivo quando o computador era novidade e as pessoas estavam aprendendo a digitar e ficavam 30 minutos “catando” as letras no teclado, ou quando os celulares eram alfanuméricos. Mas, hoje qualquer embrião já sabe digitar bem rapidinho e os telefones são todos em teclados Qwert. Não há mais motivos para abreviações... E caralho, seis horas de demora e ainda responde “comendo” letras. Aff...

- Que bom, eu estou bem também, felizmente.
Eu sempre respondo assim, não importa se eu esteja tendo um enfarto ou esteja realmente bem.
- e as novidades?

- nenhuma e vc?

- também nada...

Eu posso ter feito um milhão de coisas novas, mas eu não sei o motivo, mas sempre acho que isso não é novidade, até porque eu vivo fazendo um milhão de coisas sempre e sempre esqueço que as fiz.

Essas primeiras conversas são sempre um tédio, até porque não se tem nada para comentar, afinal ambos não sabem nada um do outro... ou seja, irão conversar sobre o quê? Ah sim! os amigos em comum, já iria me esquecendo.

- Então, eu vi que você também é amigo da Wanessa Camargo.

- Quem?

- A Wanessa, olha o link do facebook dela...

Sim, eu escrevo e falo facebokk e detesto que o chamem de “face”, não tenho intimidade nenhuma com o Zuckerberg e aposto que, assim como eu, ele também deve detestar esses apelidos que colocam na gente ou em nossos filhos.

- Ah... não conheço ela não.

Oi? Como assim não conhece?

- Mas, ela está no seu facebook!

- humm... não conheço não, quem é ela?

Ok! Para falar a verdade também não conheço essa cadela, é que sabe como é, né... ando por tantos lugares que as pessoas me conhecem e me adicionam e como eu tenho esse sério problema com memória acabo aceitando para não parecer antissocial.

- É! Eu também não conheço, para falar a verdade. Por isso estou te perguntando, ela me adicionou faz um tempo, mas nunca falou comigo e eu não a reconheço pelas fotos.

- pois é... vou indo nessa. Tchau...

- Tchau!

É, nem sempre conversar sobre os amigos em comum é algo animador. Acho que deveria existir uma rede social que tenha a opção de marcar quem são nossos inimigos ou as pessoas de quem não gostamos, mesmo que não há conhecemos. Sim, eu estaria com várias marcações. Mas, cá entre nós, é sempre mais animador conversar sobre uma pessoa que não gostamos o papo sempre flui melhor quando podemos alfinetar certas pessoas. =)

domingo, 31 de março de 2013

Ontem eu fui à balada


Sexta-feira à noite, computador, séries prediletas baixas, copo de café e a certeza de mais uma noite comum. De repente, a janelinha com o barulhinho irritante do facebook pula pedindo atenção.

- Joel, tudo bem?

- Oi anjo, tudo tranquilo, felizmente. E com você?
Sim, se você já conversou comigo provavelmente já terá lido a frase supracitada. E a minha citação pronta e predileta.

- Estou mal!

Ai meu G-zuis, pensei, lá vem mais um desabafo carente de sexta-feira, à noite: Meus pais não me compreendem, meu namorado está me ignorando, meu namoro está indo para o “beleléu”, meus amigos somente me procuram quando precisam de mim etc.

Voilà.  Dessa vez era a dos amigos! - Quero ir para balada e nenhum dos meus amigos quer ir! Vamos?

Oi?

Sim, ok! Eu já estou acostumado a ser a última opção em tudo. Mas, no fundo, nem me importo mais com isso. Quando meus amigos não podem ou não querem, eu vou só, eu vou só, eu vou só. E, além do mais, sou parceiro para qualquer tipo de “saidinha”: “Joel! Vamos fazer trilha?” – Sim, adoro. “Joel! Estás a fim de acampar?” – Mas, é claro. “Comparsa! Vamos, amanhã, para Belo Horizonte?” – Sim, sim, sim.

- Vamos?

Dou uma olhada nas opções, e como sempre, um “sim” vem.

Tudo pronto. Vamos à balada. Justamente naquela que todo mundo torce o nariz, diz que é fim de carreira. Mas, ele queria e eu era acompanhante de divertimento, então, tudo beleza.

Chegando ao local. O velho dito, em partes, confirmou-se. Eram seis saindo de dentro do táxi “das Palhoca”, gente chegando de moto CG 125, eram mais meia dúzia de gatos pingados... Mas, tudo bem. Viemos para nos divertir! Viemos? Acho que alguém se esqueceu de me comunicar. Ahhh!!! Serei verdadeiro, eu me divertir, sim.

Entramos, compramos fichas para bebidas. Chego ao balcão e o garçom (atendente, barman – sei lá como se chama) me disse: - É teu dia de sorte, pois, está é a última Heineken.

Oi?

Dia? Última cerveja? Sorte? Oiiii?

Sento com meu amigo e não dá um minuto e vem um argentino e senta ao lado dele e puxa papo. Os garçons (atendentes, barmans – já expliquei, né?) olham para mim e riem. Eu olho com a minha expressão facial de “Oi, como assim?”. Mas, tudo bem, somos amigos e argentinos são sem noção...

Mas, tudo que é super animador pode piorar... Principalmente quando você está em um ambiente que tenha argentinos e outros tipinhos de gente.

As “porteiras” do piso superior se abrem. DJ aumenta o som, todas se enlouquecem dançando. Ok, o DJ era uma porcaria, péssimo, com músicas irritantes e sem alma, mas todos realmente dançavam, até porque era o que nos restava. A decoração do lugar era em ritmo “virada do ano” eca. Plaquinhas brancas anunciando 2013 penduradas, panos brancos, borboleta branca, algo parecido com um lustre branco. Tudo branco, eu nunca entendi essa fixação por branco na virada do ano. Renovação? Paz? Oi? Mas, tudo bem.

Quando cheguei vi um moço parado, encostado na parede. Falei para o meu amigo: - Que dó dele, sozinho. Mas, uhulll, a festa está só começando. Vamos dançar.

Não deu cinco minutos e lá vem o argentino. Não deu 10 minutos e veio um garoto e beijou o meu amigo. Sai correndo pelo meio do salão rumo às escadas. Desci e fui ao banheiro. Meu amigo me encontra e diz: - Porque você saiu correndo? Todos acharam que você é meu namorado e estou te traindo! Eu ri demais, com isso. Mas, estava apurado para ir ao banheiro. Tive que sair correndo. Tente imaginar eu correndo no meio da balada. Sim, cena para minutos de risadas altas.

De volta à balada, meu amigo pegou mais uns seis – eu parei de contar depois do sexto – tive que beber Bohemia, dancei igual a um grilo porque minha canela direita ardia. De volta para o banheiro.

Quando passei no corredor rumo ao sanitário. O grupinho, ali aglomerado, começou a rir de mim e me chamar de Lady. Ok! Não é todo dia que eles podem observar uma pessoa alta, magra, de xadrez e calça jeans Skinny.  Então, isso foi o de menos. Até porque se juntar o índice de QI dos três ali presentes, provavelmente seria inferior a de um camelo.

Na volta sentei, com meu amigo, e observei, enfim, uma pessoa bonita. Fiquei feliz, até olhar para os pés dele e ver que ele usava um sapato igual ao da minha mãe. Oi? Sim, extremamente broxante, eu sei.

De volta a pista, eu nem sabia mais onde estava. Queria somente dançar e nada mais. Um menino ficou dançando igual a um gafanhoto na minha frente, eu não dei bola. Deu um minuto e..., não, não, meu amigo não o beijou. Mas, sim outro garoto e outro. Aiiiii... Eles meio que estavam fazendo um ménage à trois na minha frente... Ah!!!!

Meu amigo volta para saber como eu estava. Mas, antes disso, beija outro garoto (que parecei o homem aranha [Tobey Maguire]  – ok estava escuro e eu bêbado, mas foi a imagem que ficou na minha cabeça ). Apesar da canela direita ardendo eu disse que estava bem e complementei afirmando “divirta-se”.

Nisso o “homem aranha” vem para perto de mim, eu saio e vou para o outro lado do salão. Detalhe que nessa hora existiam apenas umas cinco pessoas. Três no ménage. Eu, o homem aranha e o chato do DJ.

Hora de ir embora. Eeeeeee. Chego e meu amigo está com um garoto, super bonito. O segundo que consegui achar bonito, e esse não tinha o sapato da minha mãe, ou seja, não era broxante.

Vamos caminhando até a parada de ônx. E somente lá, ele me diz que o garoto vai para casa dele. (aliás, está lá até agora).
Eu fico demasiadamente feliz pelas conquistas dos meus amigos, sabe.

Mas, meio que me senti um lixo. Porque eu sempre sirvo para ser somente o amigo. E, nunca o melhor amigo. Sou sempre aquela segunda opção. Estudo um monte, e sou o aluno nota nove. Ajudo todo mundo e? Somente sou lembrando em segundo caso.

É isso que me deixa chateado, sabe. Hoje, fui à praia, porque não queria ficar na internet. Choveu na praia, hehe. Ele me mandou várias mensagem, pedindo desculpas por ter me deixado por várias vezes sozinho, por ter me chamado de Melmam. Disse várias vezes que sou super engraçado para sair para festa, que adorou, que temos que marcar com mais frequência.

Eu sei que eu não nasci para o amor, já tentei esqueço diversas vezes. Mas, sempre acabo pensando nisso, e acho que sempre estou mentindo para mim mesmo. Afinal, a quem eu quero enganar? Isso está empregado nas nossas raízes. E, às vezes, eu realmente queria ter alguém para fazer rir no sentido “ainda mais bom” da coisa.

Eu sei que no fim de ano as pessoas ficam mais sentimentais e eu, talvez, esteja. Mas, me sinto frustrado, sabe. Já liguei o botão do “foda-se”. Mas, volta e meia me pego pensando no amor e fico de estomago embrulhado. Fim, eu vou me matar. Beijos e alimentem o meu gato.

Mentira, eu sempre sobrevivo. Beijos...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Aos amigos de aluguel

Eu sempre me doei às amizades. Valorizando cada momento, situação, cada sorriso e choro de pranto.

Sempre com um ouvido atencioso para escutar as lamentações, as aflições contemporâneas e os gritos de vitória. Sempre com o cérebro e as mãos prestativas para solucionar desafios, propor novidades e realizar fatos que até eu tinha dificuldade, tudo isso com o intuito de ajudar.

Sempre com bom humor e sempre prestativo para os convites mais bizarros: Vamos a BH? Vamos à praia? À balada? Viajar? Ao churrasco? Ao bar? Ao Parque? Acampar? Caminhar? Ao cinema? Ao teatro? À PQP?

As respostas para as interrogações acima sempre foram: SIM!

Se for para te fazer sorrir pode contar comigo.

Eu não como carne, eu não curto praia, odeio empurra-empurra. Às vezes, eu somente queria dormir, mas vestia o meu melhor sorriso e corria para ver o teu sorrir. Vê-lo, sempre me injetava uma solução de ânimo, o elixir da minha vida.

Mas quando a reciprocidade não vem? Mas quando o distanciamento vem? E quando você percebe que és o amigo, digamos, segunda opção?

Complicado, não?

Eu sempre fui da filosofia de quem se afastou tem seus motivos. O problema surge quando não há valorização.  Do tipo:

Está solteiro (a): - Joel, vamos sair?
            Está namorando: Ouça Grilos da Malásia, Joel.
            Na balada: - Joel! Eu peguei vários (as). Você viu?
                               - Joel! Você sumiu e me deixou aqui sozinho. Que legal, né?

Apesar de eu não demostrar, sim, teu tenho sentimentos. E, sofro. E, me machuco. E padeço ainda mais quando tenho, eu, que me afastar. Fico em frangalhos em dizer NÃO. Mas, entenda que eu tenho que me resguardar. Sou apenas um menino frágil, fragilíssimo, que não recebeu o afeto que precisava quando criança. Sou aquele que tenta dar atenção a todos, pois, compreendo que a falta de zelo pode ocasionar amargura.
   
Porque você me chama quando quer, e eu sempre com um sorriso vou até lá. E, às vezes, isso cansa.

Eu posso não ser o melhor amigo, apesar de tentar sê-lo. Não quero bancar o moralista e jamais passou pela minha cabeça ser arrogante. Cada dia eu tento me moldar, mas, infelizmente, eu  jamais irei conseguir me vender.

terça-feira, 12 de março de 2013

A arrogância do Pônei maldito


Não, não é arrogante você ter o pônei da última geração. Arrogância é você chegar a uma roda de amigos e dizer: - Deixem seus pôneis de lado, pois, eu uso o MEU! Afinal, é melhor, além disso, eu fiz curso de montaria e sou quase um especialista. Sentem-se, fiquem à vontade e assistam ao show!

                Mas afinal, quais os fatores para determinar o que é melhor ou pior? Olha! Se meu pônei 2005 faz o que eu necessito, leva-me e me traz, sobe o morro da Lagoa sem rezingar, carrega meus amigos e minhas bagagens e não reclama etc... Por que irei querer um Pônei igual ao teu? Não, não estou sendo invejoso, medíocre, e, muito menos, arrogante.

                Não é insolência se eu não concordar. Não é ser medíocre se eu disser que odeio esse teu jeito de querer se autoafirmar mostrando suas tecnologias ultramodernas e blá-blá,blá...

                Todos nós, teu amigos, somos bons de uma maneira ou outra. E, talvez, eu nunca vá com a tua feição, pois, somos parecidos. Precisamos de afeto por não tê-lo de quem deveria nos proporcionar.

                Felizmente, o que nos difere é que eu faço as coisas por mim, pensando em mim. Já você, eu creio, prefere viver de aparência.

                Espero estar errado e que sejas eternamente feliz com teu pônei de última geração.